Desmanche: exposição coletiva em cartaz na galeria virtual do CCVM

Exposição é resultado da seleção de 10 artistas visuais pelo edital Ocupa CCVM e recebe três artistas maranhenses convidados.

O Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) abriu à visitação virtual a exposição Desmanche, que conta com 33 obras de 11 artistas brasileiros. Com curadoria de Gabriel Gutierrez, a exposição tem como fio condutor a possibilidade humana de reinvenção e subversão das realidades instituídas, por meio do fazer artístico.

A exposição pode ser visitada na galeria virtual do CCVM, onde também estão em cartaz as exposições virtuais O Maranhão por Pierre Verger e Afresco de Outono.

Situando o conceito de desmanche como dispositivo criativo, a exposição convida o público à  reflexão sobre o momento de crise atual e a necessidade de novos horizontes para uma reorganização do sistema, como comenta Gabriel.

Diante das propostas enviadas pelos artistas, identificamos uma vontade de tratar as esferas da vida comum, do retorno ao uso e de uma nova ordem para as coisas. Vivemos tempos difíceis e incertos, em que muitas das situações dadas e que conhecemos, não fazem mais sentido. Ao mesmo tempo, percebemos uma brecha para reinvenção, significação e reordenação da vida.

É um espaço a ser ocupado pelo fazer artístico amplo e compartilhado. Desconstruir e construir são faces de uma mesma moeda que, ao ser lançada para o alto, cai em nossas mãos. A exposição é um convite para aceitarmos esse jogo

Obras de artistas maranhenses compõem a exposição

Três maranhenses integram a seleção de artistas que terão suas obras expostas: Marcos Ferreira, João Almeida e Wilka Sales. A artista de Grajaú (MA) utiliza recursos audiovisuais para promover suas intervenções artísticas. "As performances Voz de disparo e Sinais de Fumaça foram produzidas quando o isolamento social se intensificou e influenciou meus processos criativos. Nelas, as ferramentas  audiovisuais disponíveis são improvisadas a partir de investigações sobre corpo, memória e lugar, ampliando o campo de experimentações e utilizando a intuição como método na pesquisa em arte", explica Wilka, que é veterana em aprovações no edital Ocupa CCVM, sendo essa sua terceira seleção.

Tecitura do eu, de João Almeida

João Almeida leva à Desmanche a obra Tecitura do eu. Composta de uma instalação e uma vídeo-performance, trata do reconhecimento identitário do artista e memórias afetivas que se relacionam com sua família e infância. "Há em cada elemento da obra a afirmação dos meus processos de criação percebidos desde criança e das relações de aprendizado obtido com as artesanias dos meus pais e avós. Refaço uma trajetória, me desfaço de peles, tramo e desmancho linhas para me reconhecer e também firmar quem sou, sem perder a consciência de uma vivência em constante construção", conta João, que está em sua 5ª exposição como artista visual.

Fechando o trio de maranhenses, o artista visual e cenógrafo Marcos Ferreira é o convidado desta edição do Ocupa CCVM. Sua obra, Armadilha, é feita de crochê e foi produzida durante o período de isolamento social. "O crochê possibilitou ver o tempo de outra maneira, podendo, mesmo que minimamente, se desligar do exterior e abrir a mente para aprender ainda mais sobre a técnica". A obra de Marcos é pensada para provocar no público a sensação de serem atraídos pela instalação, por conta das cores vivas e formas geométricas escolhidas, que imitam teias. "O Ocupa CCVM proporciona expor o meu trabalho a nível nacional, tendo visibilidade e possibilitando novos acessos. É uma forma de fomentar a criação artística local, além de estimular o pensamento e experimentações de novas técnicas e materiais", avalia.

Seiscentas cobras feitas de tecido compõem instalação

A artista baiana Ieda Oliveira apresenta três obras: a instalação Ninho de cobra e os vídeos Pedra falsa e Com a cabeça nas nuvens. Os trabalhos partem de  suportes, materiais e objetos do uso cotidiano, como fonte de uma construção poética visual  centrada na conexão entre imagem e palavra. Ninho de cobra é composta de 600 serpentes de tecido e foi inspirada no dito popular sobre ambientes com pessoas maldosas. "A relevância dessa instalação situa-se por estabelecer esse vínculo com a cultura popular e a arte contemporânea. Como artista canalizadora de experiências, compreendi que o jogo no sentido amplo da palavra perpassa todo meu trabalho e processo criativo com os objetos e as palavras, e que, além de jogar com o sentido delas, os comportamentos, as relações e ações estão presentes em meu processo de criar", afirma Ieda.

Ninho de cobra, de Ieda Oliveira

Junta-se a Ieda, a artista brasiliense Camila Soato, vencedora do prêmio PIPA de Melhor Exposição em 2013. Camila apresenta  3 pinturas em óleo sobre tela, que integram o projeto Arregaça: o mito do ser pacífico. Criado juntamente com sua produtora, Gabriela Rodrigues, o projeto tem como fio condutor um desejo de registrar a história de ambas, pela ótica de suas vivências enquanto mulheres. "De forma debochada e escrachada, proponho um jogo com imagens apropriadas da internet, associadas a autorretratos feitos em situações um tanto incomuns. Tentamos mostrar uma vertente diferente do que foi invisibilizado pela história patriarcal em que estamos imersas", explica a artista. Com o projeto, Camila abre uma reflexão sobre questões que envolvem micropolítica, sexualidade, identidade, gênero e hegemonia histórica.

Série de fotografias indígenas é destaque

O fotógrafo amazonense Paulo Desana expõe a série inédita Pamürimasa (Os Espíritos da Transformação). O artista contrapõe temas como tradição, cultura, arte, tecnologia e contemporaneidade, usando recursos de fotografia e iluminação para revelar uma nova abordagem sobre a cosmogonia indígena de sua etnia. As fotografias são inspiradas no mito da viagem da Cobra-Canoa da Transformação - ou, na lingua Tukano, Pamürɨmasa - e foram criadas a partir de pinturas gráficas tradicionais dos corpos e rostos de pajés, benzedores e artesãos, além do grafismo de artesanatos, instrumentos de benzimentos e outros itens das etnias do Rio Negro.

Pamürimasa, de Paulo Desana

Tales Frey integra a Desmanche com o vídeo Estar a par: passo a passo, em que apresenta dois pares de sapato colados entre si, permitindo que os objetos ganhem nova configuração. Com a função pré-definida do objeto impossibilitada de ser exercida, os corpos agora conectados ganham a oportunidade de partilhar experiências lúdicas.

A dupla Marcelo Muniz e Cadós Sanchez expõe duas instalações: Manivela 1 e Manivela 2, que reproduzem experiências sonoras por meio da utilização de materiais do dia-a-dia, como abridor de lata e descascador mecânico de laranjas. Quando as manivelas são giradas, sons são produzidos por via mecânica e eletrônica, e amplificados no espaço.

O paulista Junior Suci apresenta a obra Feito à mão, utilizando grafite sobre papel, e a vídeo-instalação O homem pensa porque tem mãos. As obras fazem parte da série À mão livre, em que o artista explora o antagonismo entre a manualidade e a reprodução mecânica, em técnicas desenvolvidas pelo ser humano ao longo do tempo. 

João Angelini leva à Desmanche a obra Laissez-faire N° 1, parte de uma pesquisa em que o artista investiga o gesto das mãos de um policial de Planaltina (MG),  realizando a rotina de manutenção de sua arma antes de iniciar o dia de trabalho. Ao desenhar apenas as mãos, Angelini destaca o movimento específico da ação, e não restringe a obra ao formato de vídeo, expondo os 1,8 mil desenhos utilizados na produção da animação. A escolha permite que o público visualize a experiência fílmica do processo e tenha uma vivência espacial da obra, além da visual.

Com informações e fotos do CCVM

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Sobre o autor: Jornalista profissional (DRT-MA nº 1.139), com ênfase em produção de conteúdo para Web, edição de fotos e vídeos e desenvolvimento de infográficos; com passagem pelas redações do Imirante.com e G1 no Maranhão; e vencedor, por dois anos (2014 e 2015), da etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Webjornalismo. Saiba mais

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