Exposição destaca a arte de ser e criar o cazumbá

Mostra apresenta ao público 65 caretas de cazumbá criadas por Zimar, artista de Matinha, no Maranhão; exposição fica em cartaz até novembro.

Brincalhões, irreverentes, assustadores... com suas caretas horripilantes, abrem as apresentações dos grupos tradicionais, auxiliam - ou atrapalham - na brincadeira e pregam peças no público, tudo isso com um gingado único ao som do balançar de um chocalho. Assim é o cazumbá, uma das personagens mais emblemáticas do bumba meu boi maranhense.

A figura do cazumbá chama atenção pelos inúmeros detalhes que compõem o seu figurino: a túnica ou bata bordada com paetês e miçangas, ou feitas de chita; o cofo que confere o divertido rebolado e é utilizado para guardar objetos; e a careta, com sua base de chapéu, com cabeleira e queixo costurados, que assusta e encanta, e traz consigo a assinatura de quem a produz. Zimar é um destes artistas, que imprime nas caretas um estilo próprio, desafiando a tradição e encantando pela imaginação.

Exposição destaca a arte de ser e criar o cazumbá

Suas obras compõem a nova exposição do Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), Zimar - com inauguração nesta terça-feira (16), às 19h -, que fica em cartaz até o dia 16 de novembro. A visitação ocorre de terça-feira a sábado, das 10h às 19h. O CCVM fica na rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís.

Ao todo, são 65 caretas de cazumbá produzidas com os mais diversos materiais. Capacete, cano de PVC, para-lamas de moto, panelas de alumínio, peças de ventilador, escovas de dentes, pneus de bicicletas são alguns dos artefatos usados pelo artesão na criação das peças, que já fazem parte da fantasia de cazumbá de vários grupos de bumba meu boi da região da Baixada Maranhense.

Exposição destaca a arte de ser e criar o cazumbá

Eusimar Meireles Gomes, o Zimar, é natural do município de Matinha, e iniciou a confecção de caretas de cazumbá após se machucar com um queixo que havia comprado. Decidiu, então, adaptar as máscaras para o formato de seu rosto, proporcionando mais conforto.

"Podemos dividir o trabalho de Zimar em três fases: uma primeira onde trabalhou queixos e caretas bem elaboradas em madeira paparaúba; a segunda também em madeira, mas com feições mais reduzidas; e a terceira em que reaparece utilizando diversos materiais. Ele faz parte de um conjunto de bons fazedores de caretas, que aplicam a marca pessoal como uma assinatura de suas obras, seja pelo reaproveitamento de aparatos corriqueiros ou na expressão das máscaras confeccionadas", explica Jandir Gonçalves, pesquisador da cultura popular maranhense e que assina a curadoria da exposição com Reinilda Oliveira e Sergileide Lima.

A exposição conta ainda com um documentário curta-metragem homônimo e inédito, dirigido pelo cineasta Beto Matuck, especialmente para a mostra. O filme mostra Zimar criando as caretas, enquanto conta sobre sua história, inspirações e aborda questões profundas como a relação entre vida e morte.

"Expor um artista como Zimar é reconhecer a cultura em seu amplo sentido de origem. Ele é um grande representante dos artistas populares do Maranhão e sua obra toma dimensões universais, quando suscita em nós sentimentos comuns ao humano, como medo, desejo, surpresa, atração e repulsa. A liberdade de criação é evidente, bem como todo um arcabouço expressivo que se conecta às esferas da ancestralidade e do sonho", destaca Gabriel Gutierrez, diretor e coordenador artístico do CCVM.

Com informações do CCVM / Fotos: Reinilda Oliveira (cortesia)

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Sobre o autor: Jornalista profissional (DRT-MA nº 1.139), com ênfase em produção de conteúdo para Web, edição de fotos e vídeos e desenvolvimento de infográficos; com passagem pelas redações do Imirante.com e G1 no Maranhão; e vencedor, por dois anos (2014 e 2015), da etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Webjornalismo. Saiba mais

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