Siga os canais do Blog do Maurício Araya

‘Sintétika’: exposição traz olhar sobre diversidade humana da Amazônia Legal

Nova exposição do Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís, reúne obras aprovadas no edital Ocupa CCVM - Amazônia em Foco.

Abre ao público nesta terça-feira, 28 de novembro, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição Sintétika, fruto do edital Ocupa CCVM - Amazônia em Foco, que recebeu projetos de fotografia e audiovisual vindos dos Estados que compõem a Amazônia Legal. A mostra coletiva reúne os trabalhos dos artistas maranhenses Tairo Lisboa, Letícia Martins, Lucas Ferreira e Márcio Vasconcelos; dos paraenses Evna Moura e Alberto Bitar; do rondonense Gabriel Bicho; e dos amazonenses Alessandro Fracta e Coletivo Picolé de Massa.

Com instalações e imagens que se conectam para criar um retrato do indivíduo amazônico em relação ao seu ambiente, Sintétika é o encontro das diferentes perspectivas sobre a vida em meio à maior floresta tropical do planeta. O conceito de síntese sofreu um deslocamento com o advento da indústria. Quando ouvimos a palavra ‘sintético’ logo relacionamos ao que é artificial. No entanto, ‘sintético’ refere-se principalmente a tudo aquilo que está pronto para funcionar junto em comunhão. Nesse sentido, os habitantes da Amazônia Legal têm muito a nos ensinar, quando pensamos em cada um deles enquanto seres sintetizadores da complexidade que é viver na e com a maior floresta tropical do mundo. A exposição revela vários olhares sobre a relação entre o sujeito e seu meio, e discute questões que concernem à manutenção desse bioma tão importante para o planeta, explica Gabriel Gutierrez, diretor do CCVM e curador da mostra.

Exposição coletiva Sintétika traz olhares sobre diversidade humana da Amazônia Legal: nova exposição do Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís, reúne obras aprovadas no edital Ocupa CCVM - Amazônia em Foco
CCVM (cortesia)

A exposição coletiva Sintétika estará em exposição no CCVM até 13 de janeiro de 2024, e a entrada é gratuita. O CCVM fica localizado na rua Direita, nº 149, Centro Histórico de São Luís.

Uma das obras em cartaz é Corte Seco, de Alberto Bitar, uma série fotográfica que aborda a impermanência a partir de cenas de crimes capturadas durante reportagens policiais na cidade de Belém. A obra abre espaço para elucubrações sobre temas como transitoriedade, memória e a fragilidade de nossa existência, ao capturar a atmosfera que se instala instantes após o delito. Além disso, as imagens nos fazem pensar sobre a relação entre pobreza, marginalidade e crime. Três fotografias e um vídeo fazem parte da obra. O título escolhido por Bitar faz uma analogia ao termo usado na linguagem audiovisual para transições de cena com o fluxo da vida interrompido abruptamente pela violência diária.

Quatro artistas maranhenses expõem suas obras

O fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos compõe a mostra com Juradas de Morte, série de fotografias que destaca a força e a fibra de seis quebradeiras de coco maranhenses, mulheres organizadas politicamente por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), exemplos de liderança e bravura na luta por seus territórios.

A instalação Retratos de Pai Francisco, de Tairo Lisboa, exalta o universo que permeia o personagem do folguedo de Bumba Meu Boi, destacando brincantes de três importantes grupos da cultura popular do Maranhão: Guimarães, Maracanã e Ribamar. Amazônia Legal: Do Verde ao Azul, de Leticia Martins dos Santos e Lucas Ferreira Araújo traz fotografias realizadas com técnicas experimentais, como cianotipia.

Obras representam paisagens e pessoas do Norte do Brasil

Sonhos de uma Amazônia Sem Fim, de Alessandro Fracta, objetiva chamar atenção para a importância das histórias de encantarias da Amazônia e como as mesmas têm o poder de conscientizar e sensibilizar as pessoas a se conectarem com territórios e saberes ancestrais.

A artista visual, arte-educadora e pesquisadora Evna Moura apresenta Olhares Ilhados, resultado de sua pesquisa de mestrado, realizada na Ilha de Cotijuba (PA), com retratos produzidos ao longo de dois anos.

A obra Desvio para o norte, do artista multimídia rondoniense Gabriel Bicho, é composta pela série Têmpora In Ngô Meitire, com intervenções gráficas sobre fotografias de sertanistas pernambucanos e indígenas Munduruku, do Pará, interseccionando a luta desses povos pela água; e o vídeo Que Sua Luta Seja Como a da Floresta, um manifesto pela vida em meio à destruição dos biomas brasileiros.

E o coletivo Picolé da Massa, de Manaus, exporá a instalação Alexandrina - Um relâmpago, uma releitura de uma vida preta existente na Amazônia em tempos tenebrosos, com relevância social para sua comunidade, mas que aparece nos registros oficiais apenas como um vulto histórico.

Blog do Maurício Araya

Gostou do conteúdo do Blog do Maurício Araya? Leia outros destaques. Contribua com o debate, deixe seu comentário.

Siga as atualizações por meio dos canais no WhatsApp e Telegram; Google Notícias; e perfis nas redes sociais Threads, Bluesky, Mastodon, Tumblr, Facebook, Instagram, Pinterest e LinkedIn.

Sobre o autor: Maurício Araya é jornalista profissional (DRT-MA nº 1.139), com ênfase em produção de conteúdo para Web, edição de fotos e vídeos e desenvolvimento de infográficos; com passagem pelas redações do Imirante.com e g1 no Maranhão; e vencedor, por dois anos (2014 e 2015), da etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Webjornalismo. Saiba mais

Comente o conteúdo